ANO XIII
Maio/Junho - 2004
Nº 111
EDITORIAL
Um Cálice de Fel
Aos irmãos e irmãs do Povo de Deus que está nas terras da Paraíba, graça e paz da parte daquele que tem o poder de abrir o selo do livro da vida, e que tem olhos por dentro e por fora, e que vivo já não morre.
Eis que um cálice de fel está para ser derramado sobre a sua Igreja. Aquele que vem e que não deveria vir, já preparou o caminho da chegada, e chegará de noite como um ladrão, e seus enviados estreitaram as veredas, entulharam os caminhos de pedras pontiagudas, e entortaram as passagens. Ele vem com força e espalhará seu poder por sobre as outras irmãs, e o Senhor da Noite será pequeno comparado a ele. Mas não desanimem. Muitos sentirão saudades, mesmo dos dias atribulados de hoje. Procurarão e não acharão. Acenderão e não se clareará, mas não desanimem, pois é preciso que passem por tudo isso para serem purificados como sua irmã mais velha o foi.
Aquele que tem o selo e a lamparina na mão é o Senhor da História e não dorme jamais. Tenham certeza, ele vela noite e dia por sua Igreja e as portas do Hades não prevalecerá sobre ela.
Como nossos ancestrais, invoquem o testemunho dos patriarcas, especialmente do irmão Zumbi, pois ele sabe o caminho, e a força do testemunho dele se mantém entre vocês. Resistam em pequenas comunidades abraâmicas, não deixem a neve derreter pois haverá muitas lágrimas da Senhora, mantenham o fogo aceso sob o monturo e endireitem o caniço rachado, pois será apenas meio tempo de cronos, o que é breve para o tempo de Deus (kairos).
Daqui enviamos nossa oração e nossa bênção aspergida no sofrimento. Saudamos nossos irmãos Marcelo e Luiz, como a Pedro e a Paulo, e pedimos ao Senhor que abrevie este cálice. Aos anjos que por aí vivem servindo aos pobres, glória e honra de uma Igreja que é sinal para todo Nordeste, nossa admiração e súplicas para que perseverem, pois a última palavra é a Palavra.
Amém.
DEDICATÓRIA
Dedicamos esta edição a todos os que foram perseguidos, caluniados e calados pela hierarquia eclesiástica, na luta por uma Igreja verdadeiramente conservadora, fiel às origens e ao espírito libertário de Jesus Cristo.
A hora e a vez da mulher na Igreja
Frei Aloísio Fragoso
Realizou-se, na cidade de Recife, O Congresso da Vida Religiosa, comemorativo dos 50 anos de fundação da CRB (Conferência dos Religiosos e Religiosas do Brasil). Cerca de 700 participantes lotaram o auditório do Colégio Salesiano nos dias 14, 15 e 16 de maio. Ali fui tocado por uma surpresa que chamaria, no sentido evangélico, de SINAL DO TEMPO.
Faz alguns anos, na década de 60, o para João XXIII escreveu a encíclica "Mater et Magistra" e aí assinalou como uma das primeiras características do mundo contemporâneo a "atuação da mulher em todos os campos da vida humana". E a este fenômeno chamou de "Bênção do céu". O que parecia, então, bênção do céu pode ser tido hoje como opção preferencial do Espírito Santo.
O Espírito Santo parece ter mudado de estratagema. Ele mudou a tática de Jericó pela do monte Horeb. O sopro arrasador que derrubou as muralhas da cidade pela brisa suave que impregnou a alma do profeta Elias.
Os muros se reerguem sempre de novo, os muros da força contra a ternura, os da lei contra o carisma, os do poder contra a inspiração,os da ordem estabelecida contra a necessidade de mudanças.
Desde alguns anos, a hierarquia da Igreja tem identificado o problema da crise na Vida Religiosa como um problema de disciplina e tem usado os meios apropriados para resolvê-los. No entanto, daí resultou mais ordem, porém desprovida de mais carisma. O problema era, antes, de espiritualidade, na sua dimensão mais ampla e abrangente.
Voltando à referida Assembléia, a proporção entre a presença de participantes de Congregações femininas e masculinas era de 90 para 10, em favor das mulheres. Então, o Espírito irrompeu com alma feminina. Pareceu-me estar assistindo a um encontro da Renovação Carismática, com uma radical diferença: a preocupação e manifestação era a dos carismas e não das emoções.
Daí o meu "insight": O Espírito Santo percebeu que a estratégia de soprar forte para derrubar os muros não está dando resultados hoje em dia. Os muros caem por efeito da força bruta. E resolveu soprar suave, infiltrar-se nas frestas das paredes, por baixo dos alicerces, onde houver rachaduras e assim operar por dentro, favorecendo o que há de útil e corroendo o que nega ou destrói a vida.
Para tanto Ele, o Espírito Santo, fez uma opção preferencial pela mulher. O passo seguinte na Igreja será dado com a predominância carismática da mulher. Foi só um sentimento que, com o passar do tempo e o teste da experiência, pode virar opinião comprovada. Assim seja!
O ETERNO DOM DE OLINDA E RECIFE
FILME - A cineasta Érica Bauer, através da COR-FILMES, anuncia para o mês de agosto o lançamento do filme "Dom Helder Camara: Em busca da Profecia".
EXPOSIÇÃO – O CEDOHC (Centro Dom Helder Camara) disponibilizou vasto material, em áudio, vídeo, fotos e escritos do Dom, para uma exposição permanente na Escola Superior Dom Helder Camara, com sede em Belo Horizonte – MG.
PRAÇA - No Rio de Janeiro, por iniciativa da Prefeitura, será inaugurada uma praça em homenagem ao Dom, no bairro de Pilares, localizada na Avenida Dom Helder Camara. Na reurbanização da praça, serão colocadas frases e biografia do nosso inesquecível Arcebispo de Olinda e Recife.
FRANÇA – No final do mês de maio, o IDHeC recebeu a visita de jornalistas franceses, da TV France 2 – Le Jour du Seigneus e do Jornal Le Croix, para filmagens e entrevistas visando grande documentário e extensa matéria sobre A Herança de Dom Helder na Igreja do Nordeste.
PRÊMIO – Por iniciativa do Governo do Estado, foi criado o "Prêmio Dom Helder Camara de Cultura da Paz", para as escolas estaduais que conseguirem diminuir o índice de violência nos próximos 3 anos, nas comunidades onde estiverem inseridas. O lançamento do prêmio se deu no I Fórum Permanente de Articulação Comunitária e deverá incentivar alunos, pais e professores a participar da prevenção de arrombamentos, agressões e depredações das escolas. Esse é um tributo à memória daquele que pregou e lutou pela Paz.
BELA HOMENAGEM – No encarte da Revista Almanaque Brasil de Cultura Popular, distribuída nas rotas da TAM Linhas Aéreas, consta biografia e fotos de Dom Helder na coluna Brasileiros Ilustres.
Não brincamos mais de submissas...
Ivone Gebara
As meninas buscavam participar do clube do Bolinha em igualdade de condições. Afinal a sede e a inspiração era de todas e todos, mas os meninos haviam se apossado do prédio e dos bens que estavam dentro como se fossem os donos. Em todas as tentativas de participação igualitária que as meninas faziam, a resposta masculina era negativa. Sempre havia uma razão transcendente que não permitia a igualdade. Depois de muitas tentativas de diálogo, elas se cansaram e desistiram de brigar pelo prédio. Entretanto, guardavam nelas o Espírito que havia presidido a construção do prédio. Elas se sentiam habitadas por sua força e faziam "tudo o que ele lhes falava" no interior de seu coração. Cresceram em estudos, em organizações, em sabedoria, em amor e ternura. O prédio deixou de interessá-las. Não procuravam mais os membros do clube do Bolinha para tomar decisões e nem pedir conselhos aos meninos. Aliaram-se a outras pessoas que como elas queriam guardar a brisa do amor e da justiça que continuava a soprar sobre a face da terra.
Isto tudo desgostou os membros do Clube do Bolinha. Não imaginam que as Luluzinhas e as Mafaldas podiam ser tão independentes e criativas. Não podiam imaginar que seu poder seria abandonado. Resolveram então dar uma de bonzinhos. Convidaram duas meninas que destoavam das outras para entrar na comissão teológica de seu clube. Elas aceitaram, sem dúvida e , se sentiram honradíssimas por serem as duas primeiras a ocupar um cargo desses. Depois convidaram uma outra para uma organização internacional sobre a vida religiosa. A condição de sua entrada era clara: elas não podiam mudar as leis do clube e deviam obedecer aos meninos. Com estes atos tão "revolucionários", os meninos poderiam dizer ao mundo que eram abertos aos "sinais dos tempos", acolhedores das mulheres e que as tinham presentes até em lugares importantes para o clube. Ninguém poderia mais criticá-los de misóginos ou chamá-los de surdos às justas reivindicações femininas. Agora eles podiam mostrar provas evidentes de sua magnanimidade e compreensão. Escreveram até uma Instrução ou um documento chamado Redemptionis Sacramentum que autorizava as meninas, com o consentimento do menino líder do bairro a serem acólitas. Algumas meninas agora podiam estar oficialmente presentes nos altares durante a missa, mas atenção, só como acólitas, isto é, como coroinhas !
Pobres meninos do clube do Bolinha! Não se deram conta que as meninas haviam crescido mais do que eles. Oferecer estes confeitos com sabor a "tudo igual" não adiantava mais. As meninas já estavam em outra. Continuavam mais convencidas do que nunca que o Espírito sopra onde quer e ninguém pode se apossar de sua força e ternura.
As meninas acabaram até achando graça da seriedade dos meninos do clube do Bolinha e lhes desejaram boa sorte em seus novos empreendimentos!
EM BUSCA DOS MOVIMENTOS DE JESUS - XVI - PAULO E A ESCOLA PAULINA - III.
Eduardo Hoornaert
Já apresentei aqui as quatro cartas paulinas consideradas autênticas (Rm, Gl, 1Cor e 1 Ts). Passemos agora a analisar algumas frases seletas delas, que permanecem atuais hoje, e bem mereceriam ser estudadas em organismos que se preocupam com o destino de nossa hamanidade, como indivíduos e como sociedades. Para extrair o sentido atual das frases de Paulo, é preciso entender o que os termos usados por ele dois mil anos atrás signigicam hoje, pois tanto em termos de condicionamentos históricos como de cultura, estamos bem distantes do apóstolo. Uma chave consiste em "descascar" os termos que Paulo usa no contexto em que vive e dar uma nova "casca" ao que ele quer dizer e que, no seu núcleo, é sumamente atual. Ora, Paulo costuma usar metáforas ou seja, ele usa imagens que nos deslocam de um lugar para o outro. Ele atravessa o sentido óbvio de uma palavra e chega a um sentido novo, inesperado. Por exemplo, quando Paulo fala em "sopro santo" (termo traduzido depois por "espírito santo"), ele usa um termo muito usado na bíblia e que, afinal, remete a sensação causada na gente por um sopro de vento, que pode ser agradável ou ameaçador. O vento é poderoso e invisível. Outro exemplo: a palavra "carne" evoca a sensação de fragilidade e vulnerabilidade que nossa carne nos transmite. Paulo usa o termo para expressar tudo que é fraco e inseguro em nós. Da mesma forma usa o termo "morte" para expressar tudo que fica imóvel, inerte, em energia nem vida (não necessariamente a morte biológica).
Os quatro termos: Sopro, Vida, Carne e Morte, estão reunidos numa frase da carta aos romanos: o pensamento da carne é morte, o pensamento do sopro é vida (Rm 8, 6). De um lado ‘pensam’ carne e morte, do outro lado, e no sentido contrário, sopro e vida. Paulo diz que a carne só pensa em morte, o sopro só pensa em vida. Tudo na vida humana pode ser entendido por meio dessa oposição entre carne (morte) e sopro (vida). Todos temos que escolher, na nossa vida, entre colaborar com as forças mortíferas ou com as forças vitais. Por exemplo: optar pelo particularismo, qualquer que seja (nacionalismo, racismo, machismo, injustiça social), significa optar pela morte e pelas forças da morte (arma, guerra, imperialismo). Essa frase paulina ilumina magistralmente o que existe no mundo em que vivemos: os grandes meios de comunicação querem nos convencer que temos que ‘lutar contra o terrorismo’, como se aí estaria a ‘morte’. Ora, diz Paulo, isso é um ‘pensamento da carne’, ou seja, é baseado na fraqueza e na insegurança. O terrorismo tem que ser combatido pelo ‘sopro’, ou seja, pela opção radical pela vida. E isso implica em dialogar com os outros a partir do universalismo que é ‘vida’ (ainda devo voltar a esse tema num próximo texto) e não pelo particularismo que é ‘morte’. Aqui se trata da oposição entre dois pensamentos: particularismo (morte) e universalismo (vida). Defender sua ‘pátria’ torna-se hoje obra da morte. É preciso defender a humanidade, seja ela portadora de véu islâmico ou não.
Na sua carta aos Coríntios, Paulo retoma o tema e desta vez o aplica à oposição entre Adão e Cristo. Adão é ‘carne’, Cristo é ‘sopro’.
Como por um homem
Houve a morte,
Por um homem também
O levantamento dos mortos (1Cor 15, 21).
É preciso escolher entre Adão (que metaforicamente é o ‘homem da carne’) e Cristo (que é o ‘homem do sopro’). Trata-se, por conseguinte, de um processo que se opera na consciência das pessoas. É preciso soterrar a bruta realidade ‘adâmica’ (que exige a guerra) sob o impacto de uma poderosa consciência cristã (que exige o diálogo entre desiguais), fazer com que as pessoas optem resolutamente pelas forças da vida contra as forças da morte. A indignação diante do que os líderes mundiais hoje dizem (estamos hoje desprovidos de líderes que são animados pelo ‘sopro’, todos parecem seguir a lei da ‘carne’, o proveito, a aliança com o mais forte, etc.) faz com que se descubra de novo o futuro do movimento de Jesus que será sempre marcado pela resistência contra as forças da morte e pelo dinamismo do sopro santo.
O GRUPO IGREJA NOVA ASSUME PROJETO EDUCATIVO
"APRENDER COM PRAZER".
Quantas vezes você já não ficou intrigado com o fato de uma criança considerada esperta e inteligente ter baixos rendimentos na escola?
São vários os fatores que podem levar uma criança a ter dificuldades de aprendizado, e para superar esses obstáculos entra em cena o projeto Aprender com Prazer.
Já em andamento, o projeto Aprender com Prazer, é uma proposta de Psicopedagogia com abordagem Clínica, formado por profissionais voluntários especialistas em psicopedagogia, psicologia e fonoaudiologia, com objetivo de avaliar e diagnosticar problemas de aprendizagem e oferecer acompanhamento terapêutico às crianças com dificuldades no aprender e / ou portadoras de necessidades educacionais específicas.
O projeto é mais uma iniciativa do Grupo de Leigos Católicos Igreja Nova que, consciente da problemática do fracasso escolar nas áreas carentes, lança um novo olhar na tentativa de compreender "não só o porquê do não aprender do aprendente, mas o que ele pode aprender e como aprende".
O projeto Aprender com Prazer está funcionando na sede do grupo, Igreja Nova, oferecendo psicoterapia, terapias em aprendizagem e linguagem (privilégios da classe média e alta) aos alunos da Escola Municipal Abílio Gomes e da Creche Nossa Senhora da Boa Viagem, da comunidade do Entra Apulso em Boa Viagem.
Equipe do Projeto:
Psicopedagogas: Normândia Macedo de Medeiros, Sandra M. Carneiro Leão Kattah e Mônica Galvão Barboza.
Psicólogas: Cíntia Silva e Rita Simone Amado
Psicanalista: Rita Simone Amado
Fonoaudiólogas: Wanessa Macedo de Medeiros e Lucyana M. Beltrão Moreira.
O SACRAMENTO DA REDENÇÃO
Inácio Strieder
O Testamento de Jesus foi pronunciado na Última Ceia: "Fazei isto em minha memória". A Eucaristia é justamente a preservação da repartição do pão e do vinho, assim como Jesus o fez e o ordenou em sua última ceia antes de sua prisão e morte. Esta Ceia não era simplesmente uma refeição comum do dia-a-dia, mas expressava toda a missão de Jesus, e estava envolvida pela emoção de quem sentia que havia cumprido a missão e estava para partir de volta ao Pai. Por isto esta Ceia concentrava todo o seu amor para com a humanidade. Quem a repetisse, nela celebraria toda a densidade da vida e da mensagem de nosso Salvador Jesus Cristo. E os cristãos , desde o início, foram fiéis ao mandato de Jesus. A Ceia se tornou a Eucaristia, a comunhão. Com a convicção de que na repartição do pão e do vinho, em memória de Jesus Cristo, ele mesmo estava presente na comunidade. As maneiras de repartir e consumir o pão e o vinho se diversificaram entre as diversas culturas onde o cristianismo foi aceito. No rito latino, assumido pela Igreja Católica no Ocidente, com sede em Roma, a liturgia da eucaristia acontece na missa.
Usa-se pão não fermentado de trigo e vinho da uva. O rito que cerca a celebração da Ceia se formalizou muito através dos séculos. Com esta formalização perdeu muito daquela emoção de amor que caracterizou a Ceia de Jesus. O Concílio Vaticano II (1963-65) fez uma reforma litúrgica para que a celebração da Eucaristia se tornasse novamente mais existencial, mais participativa, menos formal. É totalmente justo que os dirigentes do cristianismo e, em especial, da Igreja Católica, se preocupem que a celebração da Eucaristia (em memória da Ceia de Jesus) conserve toda a densidade de seu significado e seja celebrada com toda dignidade.Todos os documentos neste sentido devem ser considerados como benvindos pelos cristãos. Por isto recomenda-se a leitura dos dois últimos documentos da Igreja de Roma sobre a Eucaristia, e se verifique se contribuem para o enrequecimento do sentido profundo da eucaristia, ou se dificultam a compreensão do sentido deste testamento amoroso que Jesus deixou aos homens, símbolo da comunhão, da fraternidade e da solidariedade de todos os homens neste mundo. Leia-se, portanto, a Encíclica do Papa, de abril de 2003 , com o título "Ecclesia de Eucharistia", e o documento que foi publicado em abril deste ano pela "Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos", com o título "Redemptionis Sacramentum". Com certeza tem muita coisa boa para se meditar nestes documentos. Mas, ao que parece, preocupam-se demais com ritos e formalidades. O que leva ao perigo de novamente esvaziar a Eucaristia de seu sentido existencial. Na eucaristia o essencial não é o rito, mas o seu sentido. O Vaticano teme por abusos. O fato é que os cristãos conscientes não são crianças. O Espírito também fala aos seus corações e podem contribuir em muito para que a Eucaristia seja celebrada com o significado profundo que Jesus quis que tivesse. Seria importante que cada comunidade cristã tivesse suficiente liberdade para enriquecer a celebração da Ceia do Senhor, sem precisar se preocupar tanto com normas do Direito Canônico ou com as determinações dos cardeais burocratas de Roma.
Reflexão sobre os filhos e as filhas
Assuero Gomes
Meus amigos e amigas, conforme prometi estou tentando escrever algumas palavras sobre os filhos. Esses seres que entram nas nossas vidas às vezes de maneira abrupta, às vezes de maneira suave, por mecanismos muito mais que biológicos, muito mais que afetivos, muito mais que teologais. Mudam para sempre nossas vidas, com poucas chances para nós mudarmos as deles. Começa então uns exercícios diuturnos, infindos, que nunca, nunca terminará, e penetrará na eternidade.
Um pedaço de nossa carne, de nossa alma, que ganha vida própria e se vai da gente, num parto ininterrupto. Cobramos nós mesmos de nós, muito mais que eles de nós, apesar dos nós que tentamos apertar se vão frágeis e frouxos pelo tempo afora.
Quantas vezes nos perguntamos onde e quando erramos. Quantas vezes tentamos recortar o celulóide do tempo para ligá-los em pedaços só prazerosos, para projetá-los na tela da nossa vida, mas vemos que somos apenas mortais que vão definhando com suas lembranças de momentos ternos e ternos, que jamais se apagarão com o por do sol. E se não houvesse a eternidade para eles e elas retornarem a nós?
Quantas vezes somos tentados a reintroduzi-los no útero, ou mesmo a prendê-los para sempre nos braços, no primeiro sorriso, no primeiro arranhar do primeiro dente, na primeira astúcia ou peraltice. Quantos sonhos sonhados e projetos inacabados fizemos e embalamos para eles, embrulhados nas nossas melhores intenções! Quantas lágrimas vertidas no silêncio do coração com suas decepções, seus primeiros amores desfeitos, suas primeiras frustrações.
Um amor que foge a toda lógica, como se houvesse lógica no amor. E depois, como disfarçar as desculpas por não ter tempo para nós, para não nos acompanharem, para não sentirmos que estamos ficando para trás; e a espera angustiada por um só telefonema, uma só palavra, um só carinho. E a certeza de saber que só seremos realmente dimensionados por eles quando já não estivermos mais juntos fisicamente. E se não houvesse a eternidade? E se não houvesse os três anos, a adolescência, as birras, as desavenças, como poderíamos algum dia suportar a separação?
Ao cair da tarde, contudo, estaremos a sós com nossa companheira, ou mesmo com a sua lembrança, e terá, mesmo assim valido a pena, pois nem mesmo Deus suportou viver sem um Filho.
HONRAS AO FREI!
No dia 13 de maio, a Câmara de Vereadores de Recife outorgou o título de Cidadão do Recife ao Frei Aloísio Fragoso, por iniciativa de Josenildo Sinésio, vereador reconhecido na Câmara como legítimo representante das comunidades, serviços e pastorais eclesiais.
No plenário cheio de colaboradores, familiares, companheiros de magistério, amigos e beneficiários do trabalho incansável do Frei, viveu-se um momento ímpar de reconhecimento ao pastoreio daquele que se tornou, em nossa arquidiocese, um exemplo de homilias comprometidas, assistência aos pobres, defesa dos injustiçados, crítico e militante contra a guerra de Bush, assessor espiritual de grupos eclesiais, conselheiro, escritor, poeta e fiel seguidor de S. Francisco.
Representantes das Comunidades do Coque, de Bola na Rede e de Dois Unidos; do Mov. De Cursilhos; do Igreja Nova; da CRB; da Renovação Cristã; da Casa da Amizade, da AEC; da Paróquia de Casa Forte e de outros grupos, saudaram a entrada de Frei Aloísio no plenário cantando: "Sou Bom Pastor, ovelhas guardarei...." Merecida homenagem!
Parabéns Recife, pelo novo cidadão!
DOM HELDER NO CHILE EM 1976
José Comblin
Dom Helder era muito amigo de dom Manuel Larraín, que era bispo de Talca, mas também o verdadeiro líder do episcopado chileno e somente não foi arcebispo de Santiago por causa do veto do partido conservador.
Dom Manuel tinha sido o promotor ou o maior apoio de muitas iniciativas sociais, promotor da reforma agrária nas terras da diocese, apoio do partido democrata-cristão quando este estava a ponto de ser condenado pelas autoridades eclesiásticas por ser esquerdista demais.
Dom Helder e dom Manuel Larraín fundaram juntos o CELAM, e foram a alma desta conferência episcopal durante 12 anos. Manuel Larraín era presidente do CELAM no tempo do Concílio e quando morreu em 1966. No Concílio Helder e Manuel trabalharam sempre juntos, e depois do Concílio prepararam juntos a conferência de Medellín.
Em julho de 1966, dom Manuel Larraín morreu de um desastre de automóvel. Uma charrete entrou na estrada sem olhar e o cavalo esmagou a cabeça de dom Manuel. O corpo era irreconhecível. Aquele que tinha preparado com tanto empenho a conferência de Medellín não pôde presidi-la.
Em 1976,o bispo de Talca, Carlos González Cruchaga, sucessor de dom Manuel, decidiu convidar dom Helder para celebrar o décimo aniversário da morte daquele que tinha sido um amigo tão íntimo.
Mas era o tempo da ditadura de Pinochet. O golpe tinha sido dado em setembro de 1973, e ainda reinava o terror. Quando Pinochet soube pelos serviços de informação da visita de dom Helder, chamou o bispo e comunicou-lhe que dom Helder era pessoa non grata e que não se lhe permitiria a entrada no Chile. Dom Carlos recorreu a diversos intermediários, que mostraram a Pinochet que para o prestígio do regime seria pior prender dom Helder no aeroporto e embarcá-lo em outro avião na presença da imprensa internacional. Pinochet permitiu que entrasse, mas não poderia realizar nenhum ato público, nenhuma conferência. Teria que limitar-se a visitar o túmulo de dom Manuel Larraín.
Na catedral veio uma multidão como nunca. A presença de dom Helder era como um sinal de esperança e de libertação no meio de uma situação que deixava o povo prostrado na humilhação da derrota. Era um povo derrotado que esperava uma palavra forte para abrir caminhos para o futuro. Não posso esquecer a emoção com que escutavam as palavras do Dom. Muitos choravam. Acho que esse foi um dos grandes dias da minha vida e muitos o lembram dessa maneira.Não se pode imaginar o que essa presença significava para um povo subjugado, desesperado. Todos sabiam dos laços de amizade e de colaboração entre dom Manuel e dom Helder. Pela voz de dom Helder era de certa maneira a voz de dom Manuel que se fazia ouvir, e todos conheciam os trabalhos de dom Manuel em favor da emancipação dos pobres. Pela voz de dom Helder estava de novo dom Manuel para reanimar os humilhados. Dom Helder era conhecido pela sua resistência ao regime militar no Brasil, era justamente disso que os chilenos queriam ouvir falar. Pois, eles deviam aprender a resistência.
No Chile a repressão foi muito mais forte do que no Brasil. Pinochet fazia questão de manter um estado de terror, ainda depois de três anos de guerra contra o povo. As forças armadas e os carabineiros estavam sempre presentes nas ruas para espantar a população. Fazia 3 anos que os militares tinham dado o golpe, mas o medo ainda era como no primeiro dia. A voz de dom Helder era como a voz da libertação, ainda que se expressasse num portunhol , mas todos entendiam a mensagem. Foi o dia mais glorioso na história da catedral de Talca.
Depois da celebração , conseguimos orientar o dom para uma porta lateral para poder sair discretamente da catedral, entrar num carro e desaparecer.Várias reuniões tinham sido preparadas apesar das proibições do ditador. O motorista conseguiu fugir e os policiais o perderam de vista. Vieram perguntar onde estava dom Helder, porque tinham obrigação de segui-lo e o tinham perdido. Claro que ninguém sabia. Ele estava falando em diversos lugares a diversos grupos e ninguém comunicou à polícia onde ele estava.
O Dom repetia a sua mensagem de esperança. A palavra de dom Helder era sempre otimista e anunciava um futuro melhor. Era o que precisavam ouvir naquele tempo. Havia muitos militantes cristãos ,inclusive sacerdotes e religiosas, que tinham sido muito comprometidos com as causas populares, seja durante de governo de Frei (1964-1970), seja durante o governo de Allende ( 1971-1973). Ninguém tinha previsto um golpe militar. Naquele tempo muitos tinham sido mortos, ou estavam desaparecidos. Muitos tinham conseguido fugir e estavam dispersos em vários países. Muitos tinham perdido o emprego. Muitos restavam nas listas negras e podiam ser presos a qualquer momento. O desânimo e o desconcerto eram grandes. A visita de dom Helder foi como a visita de um grande médico que veio para restituir a saúde. Doravante a luta era outra: era a resistência, e, de modo especial, a denúncia das atrocidades cometidas pelas forças de segurança e das aeroporto. Ainda faltavam 14 anos antes que caísse o ditador. Era preciso aprender a arte da resistência. O Dom era um mestre.
DENÚNCIAS
1- Continuamos perdendo:
O Curso FÉ E POLÍTICA, uma iniciativa acolhida e incentivada pela CNBB para ser desenvolvido em todos os Regionais através das Pastorais Sociais, foi vetado na Arquidiocese de Olinda e Recife, local escolhido, no seu lançamento em Campina Grande, para ser a sede da etapa inicial. Assim, o primeiro módulo aconteceu na cidade de Palmares; o segundo em Triunfo e o terceiro está programado para Salgueiro. O Curso tem o objetivo de conscientizar os cristãos leigos na escolha dos seus dirigentes políticos, analisando as suas propostas sob a luz da construção do Reino. Nos envergonha a recusa depois de saber que vários bispos, nos diversos Regionais, abraçaram a causa e se fazem presentes como animadores do povo e, no lançamento escolheram nossa arquidiocese para o início desse programa. A alegação dos nossos "dirigentes" eclesiásticos é de que não sabiam do que se tratava. Ou seja, os informes da CNBB não são levados a sério (por eles), porque os leigos estavam bem informados e as duas vagas reservadas para a nossa Igreja local estão preenchidas e atuantes.2 – Bagagem pesadíssima: O novo arcebispo da Paraíba, atual bispo de Sobral (CE), Dom Aldo Di Cillo Pagotto, 54 anos, nomeado dia 5 de maio pelo Vaticano, chegará à João Pessoa com as malas recheadas de denúncias. Sua meteórica passagem por Recife, como vigário episcopal, causou mal-estar no clero local preterido por um forasteiro; em Sobral se indispôs com o MST e com os padres casados. Em abril último, vasou sua nomeação e, procurado pela imprensa, se indispôs com os jornalistas. Além desses conflitos, Dom Aldo pode ser indiciado em inquérito policial no chamado caso Santana do Acaraú, onde 3 meninas e uma adolescente acusavam um frei de abuso sexual por sedução. Segundo o delegado responsável pelo inquérito, Aurélio Araújo, as meninas disseram que Dom Aldo as convenceram a contar que elas teriam seduzido o frade. "O novo inquérito já está aberto e há 90% de chance de Dom Aldo ser indiciado (...) por apologia ao crime e crime de coação...!", disse o delegado. O promotor de Justiça, Irapuan Dionísio, afirmou que: "Ele colocou a população inteira contra as meninas. Eu mesmo não consigo nem entrar na casa de algumas delas. As famílias me expulsaram das casas" e "das 21 meninas eu só tenho representação de sete. Tudo isso por interferência da igreja" (fonte: jornal O Povo). Enquanto isso, a imprensa de Sobral faz denúncias sobre as finanças da Diocese. Quanto ao clero de João Pessoa, a grande maioria (mais de 50 padres) solicitou um encontro antes da posse, mas o novo arcebispo negou, privilegiando apenas uns outros dez.
3 – PJMP: A Pastoral da Juventude do Meio popular foi novamente expulsa de sua sala de reuniões na Cúria. A primeira vez foi no prédio do Giriquiti, esta agora do prédio da Várzea. Realmente, o Meio Popular não é o forte do episcopado local.
MEMÓRIA QUE INCOMODA
35 Anos do Martírio de Pe. Henrique
Em 27 de maio de 1969 a "gloriosa revolução de 64" deixou para a história o triste capítulo da tortura e morte do jovem sacerdote Antônio Henrique Pereira Neto. Aos 28 anos, Pe. Henrique era professor de Sociologia e colaborador de Dom Helder na Pastoral da Juventude. Seqüestrado, após uma reunião pastoral, seu corpo foi encontrado no dia seguinte: esfaqueado, baleado e estrangulado num matagal da Cidade Universitária.
Com apenas três anos e meio de sacerdócio, dedicou sua vocação ao apostolado universitário, conscientizando os jovens numa evangelização comprometida com a realidade do mundo. Uma morte anunciada com avisos e ameaças a Dom Helder: o palácio dos Manguinhos (sede das pastorais) foi pichado; a Igreja das Fronteiras (residência do profeta), além de pichada foi metralhada; ameaças telefônicas ao arcebispo e outras.
A memória do mártir e do profeta foi celebrada dia 27 de maio, com missa na Igreja das Fronteiras.
MEMÓRIA
Maio
1969 - Pe. Henrique, colaborador de Dom Helder, é torturado e assassinado pela repressão da ditadura militar
1985 – O Vaticano impõe "silêncio obsequioso" a Leonardo Boff.
1986 – Na luta pelos direitos dos camponeses, Pe. Jósimo Tavares, da CPT, é assassinado no Norte de Goiás.
1989 – Dom Cardoso afasta o Pe. Tiago Thorlby da comunidade de Ouro Preto.
1992 – Vítima de acidente de trânsito, morre Paulinho, membro do Grupo Igreja Nova.
1992 – Missa de despedida dos padres Antônio Terry e Dennis Doyle, afastados por Dom Cardoso da paróquia de Peixinhos.
Junho
1978 – Morre o Pe. Hermógenes López, fundador da Ação Católica, mártir pela causa dos camponeses da Guatemala.
1979 – Juan Morán, padre mexicano, torna-se mártir pela causa dos indígenas Mazahuas
1990 – A Irmã franciscana Filomena Lopes, conhecida como "a apóstola das favelas", é assassinada na Baixada Fluminense.
1995 – Dom Cardoso despeja, com ordem judicial, Dona Terezinha de Jesus, funcionária da Cúria há mais de 30 anos. Ela residia nos fundos do prédio, que foi vendido pelo arcebispo e demolido para se construir o Shopping Center Boa Vista.
Vale a Pena Ler
- "Religiões do Mundo, em busca dos pontos comuns", de Hans Küng – VERUS Editora – O livro trata do tema "Não haverá paz entre as nações, se não houver paz entre as religiões". Oportuno, atual e tratado por um teólogo renomado, profundo conhecedor das religiões tribais, do hinduísmo, das religiões chinesas, do budismo, do islamismo, do judaísmo e do cristianismo, destacando suas circunstâncias políticas e sociais, suas idiossincrasias, mas realçando seus pontos comuns e padrão ético. Informações: Tel. (19) 3241.0832; e-mail:imprensa@veruseditora.com.br
- "Uma História de Desafios" – JOC no Brasil 1935/1985 – Livro lançado dia 14 de maio último no MTC – Recife (Mov. de Trabalhadores Cristãos), "contém flagrantes de vida de quem, quando jovem, aderiu à Juventude Operária Católica – JOC, por ter encontrado aí uma proposta à sua vida de sofrimento e sonhos e acreditar na sua capacidade de transformar o mundo. O leitor vai encontrar histórias reais de vida, fatos e sentimentos que marcaram esses trabalhadores. Inclui depoimentos de padres, assistentes e educadores que acompanharam os jocistas. Inform. MTC: 3222.0241 e Luiz Barros: 3461.1634".
Padre Jaime, uma partida inesperada
Zezé e Rosilda
Lembramo-nos, nos idos de 1970, do Pe. Jaime, juntamente com Pe. Roberto, assumindo a Paróquia do Pina. Ao final da celebração, aquele padre diferente fisicamente dos que nós conhecíamos, foi à porta da Igreja cumprimentar a todos que saíam, agradecendo a presença e convidando para a próxima celebração. Concluímos logo que a diferença não era só física, mas na maneira de ser e agir, comprovada no passar dos anos.
Montado numa velha bicicleta, ia e vinha, visitando os paroquianos, procurando se inteirar das dificuldades e necessidades das pessoas e convidando-as para reuniões, para tentar ajudá-las à luz do Evangelho.
Por ele fomos convidados, em 1975, a participar do Movimento de Cursilhos e, com outros, formamos dois grupos: Pina 1 e Pina 2, que se reuniam semanalmente.
Com ele e alguns companheiros desses grupos, foi realizado o 1º Curso de Noivos da Arquidiocese de Olinda e Recife, no salão da Capela da Imbiribeira. Após vários Cursos, Pe. Jaime começou a se preocupar com a vivência e as dificuldades dos casais após o matrimônio. O que poderíamos fazer?
Na reunião seguinte, levamos a revista Família Cristã, de setembro/75, que falava do serviço do Encontro de Casais com Cristo. A conclusão do grupo foi imediata: ali estava a solução para as preocupações do querido pastor.
Fomos a São Paulo para um encontro com o Pe. Alfonso Pastore, de saudosa memória, que nos mostrou a necessidade de um padre participar do ECC em São Paulo, para poder trazê-lo para Recife. Pe. Jaime se ofereceu, foi de ônibus, participou e voltou entusiasmado. Contagiou o grupo e localizou em Recife casais que já haviam participado do ECC em São Paulo. Em 1976, na paróquia do Pina, realizou-se o 1º Encontro de Casais com Cristo na Arquidiocese de Olinda e Recife, com as bênçãos de Dom Helder Camara.
Cada vez mais, os nossos laços de amizade com o Pe. Jaime foram se estreitando, não só nós, mas todos os paroquianos do Pina e de Brasília Teimosa. Parece que as 24h do dia ele estava presente em todas as pastorais e em todos os lares: na alegria, na tristeza, na saúde, na doença e na vida de cada um da comunidade, que construiu com abnegação.
Em fevereiro deste ano, aos 78 anos, se ofereceu para trabalhar em Aparecida de Goiânia – GO, assistindo 10 comunidades pobres e uma casa de formação. Um mês depois sofreu um derrame cerebral, fomos visitá-lo no hospital de Goiânia, em coma, fomos convidados a conhecer o local onde vivia: casa simples e sem água encanada, condições difíceis para o seu trabalho e a sua idade. Faleceu em 23 de abril e seu corpo retornou a Recife, onde foi reverenciado por todos aqueles que tiveram a graça de partilhar sua vida de doação sem limites.
Obrigada Pe. Jaime, pelo testemunho evangélico de bom pastor!
Breve história de Pe. James Kohmetscher, O.M.I. (Jaime)
Chegou ao Brasil em outubro de 1962 e logo foi enviado para trabalhar com os plantadores de café de Palmeiral - MG. Em 1968 abriu a missão dos Oblatos em Recife (Brasília Teimosa, área de invasão). Os Missionários Oblatos se dedicaram a organizar o povo na resistência a decisão dos governantes de expulsá-los. Com isso, conseguiu recursos para novas casas, amparando os moradores das palafitas. Nessa época, os militares tomaram o poder, mas Pe. Jaime, perseverante, trabalhou com grupos de jovens para resistir à ditadura militar. Seus 25 anos de sacerdote foram celebrados com a presença de Dom Helder; os Oblatos entregaram a Paróquia à Arquidiocese mas Pe. Jaime foi solicitado a tornar-se vigário. Os missionários se esforçaram para a formação dos leigos, levando-os a assumir as responsabilidades na área pastoral. Pe. Jaime insistiu com o Conselho de Moradores para que as máquinas não derrubassem as casas onde seria construído um viaduto. Foi preso mas logo libertado porque a população invadiu a delegacia.
Em 1987 foi nomeado para a Equipe Mestra do Noviciato Oblato Internacional, no Paraguai. Dirigiu ainda o Noviciato OMI do Brasil e as comunidades de Pe. Joanil. Em 1993 foi enviado para Chicago, nos Estados Unidos, mas em 94 pediu para voltar ao Brasil e os Oblatos o requisitaram para o Recife, onde ajudou na formação de duas novas paróquias: a Paróquia de N. Sra. do Rosário e a comunidade do SESI. Em 1998 foi reeleito como Superior. Entre 2000 e 2004, Pe. Jaime criou as comunidades de São José e N. Sra. Do Rosário de Fátima e vários grupos, como a "Infância Missionária". Em 2005, celebraria 50 anos como sacerdote.
FIQUE POR DENTRO
OS PRIMEIROS MÁRTIRES Depois de Jesus, o primeiro foi Estevão. Antes de morrer, fez longo discurso de evangelização, fornecendo assim modelo para muitos mártires seguintes: (At 6-7). O livro dos Atos mostra o martírio de Tiago (6-7); as perseguições contra os Doze e contra Paulo, testemunhos sobre o martírio de Pedro e de Paulo em Roma. Em Jo 21, 18-19 encontra-se o relato do futuro martírio de Pedro.O QUE ELES E ELAS PENSAM
- "Nossos sacramentos devem ser revistos. Estão sendo um rito mágico, um evento com fotografias e diplomas, mas não são uma experiência de Jesus e assim os ex-católicos esnobam dizendo (nas igrejas pentecostais):"aqui, e agora, eu encontrei Jesus".
Frei Adelino Frigo, OFM, da Arquidiocese de Londrina – Maio/04
- "O celibato obrigatório dos clérigos leva a Igreja a castrar literalmente um impulso humanizador inscrito por Deus no coração dos homens, como condição de realização de uma vocação de serviço ao Povo de Deus, em nada incompatível com a vocação para o casamento e a vida familiar."
Hélio Amorim, membro do Movimento Familiar Cristão/MFC – Maio/04
- "Precisamos nos ajudar a aprender a rir para ver se algo novo pode nascer de nosso riso. Rir porque a mesa está farta, rir porque em breve a criança esperada vai nascer, rir porque amanhã é dia de colheita, rir porque Deus ri com a nossa risada".
Ivone Gebara
CENTELHAS
- Até a festa do Evangelista, se brincar, uma fogueira poderá ser acesa pelo Senhor da Noite, queimando os Remédios.
- Não chores por nós Paraíba!
- Há quase 20 anos, um delegado canônico
NOTÍCIAS NOTÍCIAS NOTÍCIAS
LOCAIS
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Teologia
– Em maio último, a UNICAP realizou a sua X Semana Teológica, sob o tema
"Desvelando o Sagrado na Obra de Ariano Suassuna". Parabéns pela perseverança em
promover a teologia nas terras áridas dessa arquidiocese.
Problemas
na Igreja -
Resistência
dos Leigos
Carisma
REGIONAIS
CEBI,
25 ANOS
DESPEDIDA
NACIONAIS
Inspiração
de Irmã Dulce
Controvérsias
em Itaici
AEC
–Congresso
INTERNACIONAIS
Menos
um
DICAS NA INTERNET
- SITE IDHeC- Instituto Dom Helder Camara - www.domhelder.com.br
- CURSILHO EM MARCHA: www.elogica.com.br/users/marcha.
- JORNAL FOLHA FORTE: www.paroquiadecasaforte.com.br
- SITE DE CHICO BUARQUE DE HOLANDA: www.chicobuarque.com.br
- SITE DA DIOCESE ANGLICANA -www.ieab.com.br
- SITE DA CONGREGAÇÃO DEHONIANA - www.dehonianos.org.br
- SITE DOS DOMINICANOS - www.dominicanos.org.br
- DIOCESE ANGLICANA DO RIO DE JANEIRO - www.anglicana.com.br
- DIOCESE DE PELOTAS - www.diocese.pelotas.tche.br
- SITE DA ARQUIDIOCESE DA PARAÍBA - www.arqui-pb.org.br
- ADITAL - Agência de Informações Frei Tito para a América Latina - www.adital.org.br
- ANOTE - Agência de Notícias Esperança - www.anote.org.br
- CORREIO DA CIDADANIA - www.correiocidadania.com.br
- REVISTA CAROS AMIGOS- www.uol.com.br/carosamigos
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